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Biografia Ligeira

Nome completo: Sylvia de Souza-Bandeira Ferreira
Nome Artístico: Sylvia Bandeira
Aniversário: 15 de fevereiro
Signo: Aquário
Local de Nascimento: Genebra (Suíça)


Vida de Nômade

Viajar sempre.
Sylvia Bandeira morou em muitos países
e ainda viaja quando interpreta...


Fiquei muito triste com o falecimento do Antônio Houaiss, pois ele faz parte de um episódio importante na minha vida, numa história muitas vezes lembrada nos nossos reencontros. Nasci em Genebra, onde ele e meu pai, ambos diplomatas e amigos, serviam na época. Testemunha de meu nascimento, Houaiss foi encarregado pelo meu pai de noticiar os progressos de minha chegada, fazendo a ponte entre o bar onde ele acalmava os nervos e o hospital onde se encontrava minha mãe em trabalho de parto! Depois de inúmeras idas e vindas (foram quase 20 horas), ele finalmente anunciou: "Sylvia nasceu perfeita" (pais iniciantes têm essa preocupação). Papai então teria brindado os boêmios ainda presentes com uma rodada de bebida e charutos.

Do nascimento na Suíça até me estabelecer no meu amado Brasil, tão idealizado nas breves passagens por aqui nos intervalos desses longos anos de exílio, foram 19 anos vivendo como nômade em vários países e assimilando diferentes culturas. Hoje reconheço que foi uma experiência que me deu uma visão internacionalista de mundo, mas a falta de raízes e de referências foi complicado para a menina e a adolescente que precisavam buscar sua identidade. Penso que de alguma forma essa vida cigana foi determinante na minha escolha de profissão; todo ator é um pouco nômade, pois quando representa está sempre viajando no personagem.

Eu me lembro de ter encenado minha primeira peça como a Bela Adormecida. Tinha uns 5 anos de idade e o ator que fazia o príncipe deveria me acordar com um beijo na testa. Por timidez ou nervosismo o beijo não aconteceu e eu, imbuída no meu personagem, não acordava do sono profundo. Criou se um impasse e a platéia, constituída principalmente de adultos, se divertiu bastante.

Daquela longínqua estréia até ter minha carteira assinada como atriz profissional, percorri inúmeros caminhos. Comecei a cursar Filosofia na Faculdade de Sidney, na Austrália, depois Comunicação já de volta ao Rio, fui relações públicas, vendedora de loja, durante algum tempo fui modelo, secretária executiva numa multinacional, jurada de TV etc. Em 1978, fiz um teste e fui aprovada para atuar no meu primeiro filme. Foi amor à primeira vista e um caminho sem volta!

Hoje, várias peças, novelas e filmes depois, aprendi a conviver com essa vida nômade. Durante os ensaios, passa se mais tempo com o elenco do que com a própria família. Mais uma vez a minha experiência com diferentes culturas e nacionalidades me ajuda na compreensão de um grupo heterogêneo que de um momento para o outro estabelece uma intimidade total, em função específica do trabalho do ator.

Representar, seja na televisão, no teatro ou no cinema, é sempre um prazer. E aí me identifico com uma frase de Napoleão I, que dizia que a maior das imoralidades é se exercer um trabalho do qual não se gosta. É um prazer poder se fantasiar o ano inteiro, e não só no carnaval...

Ensaio Rita Hayworth by Antonio Guerreiro - 2005 Ensaio Rita Hayworth by Antonio Guerreiro - 2005 Ensaio Rita Hayworth by Antonio Guerreiro - 2005